Pedalando em Chinatown

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Como eu já tinha percorrido quase toda a costa oeste de Manhattan no meu primeiro pedal, resolvi conhecer a margem leste da ilha no meu próximo passeio. Fiz uma busca rápida por ciclovias nas margens do East River, mas a verdade é que não havia muitas opções. Foi aí que pensei: meu primeiro pedal foi longo, mas por que não atravessar uma ponte dessa vez? Montei um trajeto saindo de casa até o Prospect Park, que fica bem no meio do Brooklyn. No papel, o caminho parecia tranquilo.
Porém, confesso que esse passeio não foi tão bom quanto o primeiro. O caminho das ciclovias para chegar até a Manhattan Bridge é bem confuso na prática. Saindo de casa, não havia um caminho em linha reta que chegasse até a ponte, e quando cheguei bem no meio de Chinatown, eu vi o caos. Eu me senti em um filme dos anos 90, naquelas ruas lotadas, com gente se esbarrando, e falando numa língua incompreensível para mim. Será que eles se entendiam? Vai ver por isso tem tanto filme chinês de pancadaria.
Enfim, a realidade era bem mais pacífica que um filme do Jackie Chan, mas a relação ciclistas-pedestres não é das melhores. Em alguns pontos, as ciclofaixas são usadas como uma extensão das calçadas. Muita gente espera o sinal de pedestres abrir parado, ali, no meio da ciclofaixa, e sequer olham se há ciclistas vindo. Não vi nenhum acidente acontecer ali, mas não se pode dar bobeira.
No meio disso tudo, acabei me perdendo e tive que pedir informação. Que não adiantou de nada. Felizmente, a Manhattan Bridge é bem grande, então uma hora eu a encontrei. Embora a Brooklyn Bridge seja mais conhecida, turística, charmosa, e ótima para fotos, não recomendo a ninguém atravessá-la de bicicleta. Ela possui um caminho para bicicletas, mas ele é estreito e a quantidade de pessoas ali é imensa. Você precisa disputar espaço com ciclistas, pedestres, fotógrafos e modelos. Dá pra ir, mas devagarinho e com cuidado.
Para atravessar o rio de bicicleta, a Manhattan Bridge é muito melhor. Há um caminho exclusivo para bicicletas, com uma faixa própria em cada sentido, e como a ponte sobe mais alto, a vista é sensacional. Só precisa de um pouco mais de fôlego porque a subida é longa e um pouco íngreme no começo. O bom é que depois tem uma descida longa também!


No final da ponte, já tem uma ciclofaixa que desce rumo ao Brooklyn Navy Yard. Mas logo vi que eu não ia seguir muito adiante. Depois de uns 500 metros, cheguei a um enorme canteiro de obras na avenida e, por causa disso, eu vi que teria que dividir espaço com os carros. Nessa região o trânsito parece um pouco mais agressivo, talvez pela ausência de pedestres e turistas no arredores, ou também por conta da falta de espaço e da sinalização provisória.
Mas o maior problema foi a sede. Nova Iorque é conhecida pelo frio, mas o verão também não é brincadeira. Bem quente e úmido, o dia estava infernal como no Rio de Janeiro. No caminho eu já havia bebido 1 litro de água e ali, no meio do nada, não existia nenhum bebedouro ou loja para comprar uma água. Achei melhor voltar para casa.
Subi a ponte de novo, desci outra vez, e segui meu caminho sem olhar para o GPS. O desafio era me orientar pelo sol! Isso sempre deu certo. Pedalei pelas ciclofaixas seguindo o sentido do sol, até chegar em alguma rua com cara amiga, e logo estava em casa.

As pontes Brooklyn Bridge e ao fundo Manhattan Bridge.

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